Manaus, 29/11/2022

Amazonas

Comunidade indígena de Tabatinga comemora chegada do LED na iluminação pública

Comunidade indígena de Tabatinga comemora chegada do LED na iluminação pública
17/11/2022 11h20

A chegada do programa Ilumina+ Amazonas na segunda maior área indígena do país, Belém do Solimões, em Tabatinga (a 1.100 quilômetros de Manaus), transformou a paisagem do local. Antes com pouca luz e em tons amarelados, agora a comunidade conta com uma iluminação que garante visibilidade total nas vias. A substituição das 298 lâmpadas a vapor de mercúrio por luminárias públicas de LED reafirma a valorização das comunidades tradicionais do Amazonas, por meio do acesso a serviços públicos de qualidade, e o compromisso com a preservação do meio ambiente.

Ansiosos pelo resultado, os indígenas que vivem nas aldeias dessa região acompanharam a instalação das luminárias. Em um único dia, todas as lâmpadas convencionais foram retiradas e substituídas pela nova tecnologia, modernizando 100% a iluminação pública do local, onde vivem mais de 5,2 mil pessoas.

O indígena Vadevaldo Miguel, diretor da rádio comunitária A’UMA foi o responsável por levar a notícia sobre a chegada da nova iluminação em Belém do Solimões. “Não esperava que ia chegar para nós. No meu bairro não tinha energia, era escuro, eu saía da rádio e entrava com o celular focando [e iluminando] a minha casa. Agora, está tudo iluminado. É muito bom, o Governo lembrou de nós. É muito tempo sem iluminação, a gente perdia muita coisa”, disse.

Frei Paolo Maria Braghini, dos Frades Menores Capuchinhos do Amazonas e Roraima, é o pároco da paróquia São Francisco de Assis, a única totalmente indígena do Alto Solimões, e testemunhou e chegada da iluminação de LED nas aldeias Ticuna e Kokama. Segundo ele, ter uma boa iluminação era um desejo antigo dos moradores. “A iluminação nos transmite serenidade, alegria, paz, tranquilidade, pois agora se pode sair pelas ruas sem medo de estar no escuro. É um avanço muito grande, sabemos que a escuridão é o lugar onde os vícios se proliferam e a luz é o lugar onde os vícios são afastados”, relatou.

O programa de modernização da iluminação pública no interior, Ilumina+ Amazonas, é executado pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), do Governo do Estado. De acordo com o coordenador executivo da UGPE, engenheiro civil Marcellus Campêlo, já está presente em 22 municípios e 32 comunidades. “Até o final deste ano, 28 cidades contarão com a nova tecnologia. Em seis meses, 48,8 mil pontos de iluminação foram instalados pela primeira vez ou substituíram as lâmpadas de vapor metálico, vapor de sódio, mistas ou vapor de mercúrio, como é o caso de Belém do Solimões”, disse.

A utilização de lâmpadas que contém mercúrio em sua composição é altamente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente. A erradicação do metal tóxico integra a Convenção de Minamata, um acordo ambiental em vigor desde 2017 e da qual 132 países são signatários, inclusive o Brasil. “Ao final da primeira fase do programa, a quantidade de mercúrio suprimida ao longo dos próximos anos será extremamente significativa. Isso demonstra que a diferença entre as lâmpadas convencionais e o LED vai além da percepção visual de cor, do amarelado para o branco”, diz o engenheiro eletricista Anderson Bittencourt, diretor operacional da Avanço Construções, empresa que realiza os serviços no interior.

O acesso à iluminação pública de qualidade é necessário e “garante uma certa segurança à população”, avalia o consultor Antenor Vaz, ex-servidor da Funai e especialista em políticas para povos isolados. Vaz destaca, ainda, a relevância ambiental do programa que implementa luminárias de LED no interior do Amazonas, pois garante a redução no consumo de energia elétrica e, consequentemente, reduz a queima de combustíveis fósseis. “É indiscutível que qualquer iniciativa que diminua o consumo de combustíveis fósseis já é uma contribuição muito grande. Além disso, uma boa iluminação pública também é extremamente necessária em qualquer região, seja ela de comunidades indígenas ou mesmo a população não indígena”.

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