Manaus, 15/08/2022

Economia

Mercado de NFTs cai após frenesi de ativos digitais

Mercado de NFTs cai após frenesi de ativos digitais
06/07/2022 13h50

O mercado de tokens não-fungíveis (NFTs) brilhou no ano passado, quando investidores de criptomoedas despejaram bilhões de dólares em ativos de risco, elevando preços dos ativos e lucros. Agora, o cenário é outro.

O volume de vendas mensais no maior mercado de NFTs, o OpenSea, caiu para US$ 700 milhões em junho, abaixo dos US$ 2,6 bilhões em maio e muito distante do pico de janeiro, de quase US$ 5 bilhões.

No final de junho, a venda média de NFTs caiu para US$ 412, de US$ 1.754 no final de abril, de acordo com NonFungible.com, que acompanha as vendas de tokens nas blockchains ethereum e ronin.

“Vimos muita especulação, muito frenesi em torno desse tipo de ativo”, disse Gauthier Zuppinger, cofundador do NonFungible.com.

“Agora vemos algum tipo de diminuição só porque as pessoas percebem que não ficarão milionárias em dois dias”, acrescentou.

O mercado de NFTs entrou em colapso junto com as criptomoedas, que normalmente são usadas para pagar os tokens, em um momento em que os bancos centrais aumentam juros para combater a inflação, reduzindo o apetite dos investidores por risco.

O bitcoin acumulou desvalorização de cerca de 57% no primeiros semestre enquanto o ether caiu 71%.

Mergulho ou espiral da morte?

Para os críticos, a crise no mercado confirma a loucura que envolveu a compra desses ativos, que são registros de propriedade de ativos digitais, como imagens ou vídeos, geralmente obras de arte.

O empresário malaio que comprou um NFT do primeiro tuíte de Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter, por US$ 2,5 milhões no ano passado enfrentou dificuldades para conseguir ofertas maiores que alguns milhares de dólares quando tentou revender o token em abril.

Mas Benoit Bosc, chefe global de produtos da empresa de negociação de criptomoedas GSR, vê a desaceleração do mercado como o momento perfeito para construir uma coleção de NFTs corporativos — o equivalente em ativos digitais das belas artes que os bancos tradicionais exibem para impressionar os clientes.

No mês passado, a GSR investiu 500 mil dólares em NFTs do que Bosc chama de coleções “blue chip”, aquelas com grandes bases de fãs online.

As compras incluíram um NFT do Bored Ape Yacht Club, um conjunto de 10 mil imagens animadas desenhadas de macacos feito pela empresa norte-americana Yuga Labs e promovido por nomes como Paris Hilton e Jimmy Fallon.

Tamanho foi o interesse em torno dos NFTs do Bored Apes que a Yuga Labs levantou US$ 285 milhões em abril com a venda de tokens conversíveis em terreno digital no mundo online inspirado no Bored Apes que a empresa ainda não lançou.

No entanto, o preço médio de venda de um Bored Ape caiu para cerca de US$ 110 mil em junho ante pico de 238 mil em janeiro, de acordo com o rastreador de mercado CryptoSlam.

Em seu escritório em Nova York, Bosc deixou três telas exibindo seus NFTs, que incluem vários personagens pixelados e um Bored Ape comprado por US$ 125 mil.

“Para nós, isso também é um exercício de marca”, disse Bosc. Possuir um NFT valioso e usá-lo como foto de perfil nas mídias sociais é uma maneira de estabelecer “respeito, autoridade e influência” na esfera dos ativos digitais, disse ele.

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