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Manaus, 30/07/2021

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Senador Omar Aziz decreta a prisão de Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde.

Senador Omar Aziz decreta a prisão de Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde.
07/07/2021 16h40

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, que presta depoimento na comissão nesta quarta-feira, fez um dossiê para se proteger. Roberto, que é alvo de suspeita de cobrar propina e de pressionar pela liberação de uma vacina, não confirmou nem negou a existência do dossiê.

Omar ficou impaciente com algumas respostas de Roberto, como por exemplo quando perguntou se o então ministro Eduardo Pazuello lhe deu alguma ordem que ele deixou de cumprir, porque achava que isso não era o certo a fazer.

— A paciência de todo mundo tem limite. Eu estou tentando te ajudar. Te colocaram numa encrenca tão grande. E não está querendo falar para a CPI — disse Omar.

— Não tenho na memória nenhuma ordem não cumprida, nenhuma ordem descumprida — respondeu Roberto.

— Tá bom. O senhor sabe que fez um dossiê para se proteger. Eu estou afirmando, não estou achando. Nós sabemos onde está o dossiê e com quem está. Não vou citar nome para não atrapalhar as investigações. O senhor recebeu várias ordens da Casa Civil por e-mail lhe pedindo para atender: “era gente nossa”, “essa pessoa é nossa”. Não foi agora não. É de todo o tempo em que esteve no cargo.

Em um outro aparte,  Aziz disse que o ex-ministro Eduardo Pazuello e o coronel Elcio Franco, então secretário-executivo do Ministério da Saúde,  “engoliam” o ex-diretor  e “não suportavam a presença dele”.

— Ele (Dias)  se preparou para saída dele.  Ele disse espera aí, eu servi aqui, se vieram com graça pra cima de mim vai ter troco — disse o presidente da CPI, ressaltando que o ex-secretário saiu do ministério com suspeita de ter negociado a compra da  vacina e cobrado U$$ 1 de propina por dose do imunizante.

Ainda e acordo com Aziz, Roberto Dias começou a se preparar e levantar documentos antes de sua demissão.  O ex-secretário ficou em silêncio e não comentou as declarações.

Omar Aziz apontou ainda uma inconsistência no depoimento. Roberto disse que o encontro que teve com o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que o acusou de cobrar propina na negociação de vacina em 25 de fevereiro deste ano, não foi programado. Roberto estava num restaurante tomando chope com um amigo quando o PM apareceu. Omar, porém, citou áudios do celular de Dominguetti apontando que o encontro foi previamente combinado.

— Dominguetti, no dia 25, às 14h55, recebe um áudio dizendo “está tudo acertado hoje à noite o encontro seu com Roberto Dias?” Ele responde: “Está.” Está nos áudios que temos do senhor Dominguetti. Então não pode ter sido coincidência ter se encontrado. Isso tá me cheirando… E eu estou tentando lhe ajudar. Agora chegar aqui, dizer que saiu, e não sabe por quê; que tiraram poderes do seu departamento e não sabe por quê; que demitiram duas pessoas do seu departamento e não sabe por quê — queixou-se Omar.