Manaus, 02/10/2022

Brasil

Mulher entra ‘em choque’ ao ouvir que ‘preto tem que morrer’ dentro de loja em shopping

Mulher entra ‘em choque’ ao ouvir que ‘preto tem que morrer’ dentro de loja em shopping
14/08/2022 12h30

Uma mulher foi vítima de racismo dentro de um shopping em Santos, no litoral de São Paulo. A filha dela, Laila dos Santos, de 35 anos, contou que neste domingo (14), que estava com a mãe no momento em que uma moça, de 34 anos, passou apontando com o dedo e falando em voz alta: ‘preto tem que morrer’. Indignada com a situação, Laila chamou a Polícia Militar e a mulher foi presa em flagrante por discriminação.

Segundo informações obtidas, o caso ocorreu dentro da loja Riachuelo, no Shopping Praiamar, localizado à Rua Alexandre Martins, no bairro Aparecida, e teria sido testemunhado por dezenas de clientes que faziam compras pelo local. A situação acabou repercutindo após ter sido compartilhada por meio das redes sociais.

A vítima, uma mulher de 55 anos, não quis ser identificada. Laila dos Santos, a filha dela, contou ao g1 que estava passeando no shopping com a família. Ao se aproximar da entrada da loja Riachuelo, uma mulher passou ofendendo a própria mãe.

“Ela puxou o andador e pegou o cartão dela. Depois, passou perto da gente e perguntou ‘o que você está olhando?’”. Laila teria respondido para a moça que ela não deveria tratar a própria mãe daquele jeito. A mulher não respondeu e entrou na loja.

“Eu continuei na porta e minha mãe ficou nas primeiras araras escolhendo a compra para o Dia dos Pais. Essa menina entrou na loja, cutucou a minha mãe e apontou o dedo na cara da minha mãe e falou que ‘preto tem que morrer’. Ela falou em alto tom, e uma funcionária da loja e outras pessoas ouviram”, contou Laila.

De acordo com a filha da vítima, a mulher tentou reverter a situação dizendo que precisava ir embora e chamou a mãe dela. A senhora teria afirmado que a filha estava fora de si, pois tem problemas mentais e possui um laudo psiquiátrico.

Ainda segundo Laila, algumas testemunhas e os agentes de segurança tentaram desestimular que a denúncia fosse feita, mas ela insistiu em chamar a PM para dar andamento ao caso.

“Todo mundo falava que isso não ia dar em nada. Mas, eu afirmei que iria até o final e ia registrar um boletim de ocorrência. Estão ofendendo e matando pessoas utilizando como pretexto laudos para fazer o que querem, e isso tem que ser impedido”. Laila diz que, por conta das falas racistas, a mãe dela “está em estado de choque até agora”.

Além da injúria racial, ela afirmou que também se sentiu humilhada pela maneira como ela e a mãe foram tratadas pelos seguranças após o ocorrido. Laila gravou um vídeo que mostra parte da discussão após a ofensa racista.

“Chamei os seguranças do shopping para inibir a saída dela. Até o primeiro momento, o pessoal do shopping queria que a gente não filmasse, porque eles não queriam expor a situação, e queriam que a gente fosse para uma sala privada […] Parece que a gente estava errado. É algo que não dá para acreditar”, afirmou.

A Polícia Militar confirmou que foi acionada às 19h32 para atender o caso em que duas mulheres estariam discutindo e uma proferiu palavras racistas. Os policiais estiveram no local e conduziram os envolvidos para a delegacia.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), a mulher foi presa em flagrante por praticar discriminação. “Ela foi autuada em flagrante e encaminhada a CPJ [Central de Polícia Judiciária] de Santos onde o caso foi registrado”, informou em nota.

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